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Comentado por:  Avany Aparecida Garcia em 24/02/2018 - 06:13
Profa. Teresa, pelo que venho entendendo da leitura de Jameson, há uma identificação da pós-modernidade com o terceiro estágio do capitalismo, que seria o capitalismo multinacional. Paralelo à leitura d’a virada cultural, também estou lendo um artigo da Revista Z Cultural (2015), “O debate marxista sobre a pós-modernidade”, de Ricardo Musse, no qual este autor analisa alguns teóricos, dentre os quais Jameson. Ao referir-se, então, aos traços recorrentes na produção do pós-modernismo na visão de Jameson, Musse faz essa interpretação da categoria tempo e espaço, conforme consta a seguir: "[...] se depreende que o esmaecimento do sentido histórico, a substituição, como dominante, da categoria “tempo” pela categoria “espaço” ou a transmutação das coisas em imagens no processo de reificação, mais do que características de uma dominante cultural, constituem traços estruturais do capitalismo tardio”. Percebo aí, mais uma vez, uma identificação de características da pós-modernidade com as bases estruturais do capitalismo que se manifesta nesse terceiro estágio –tardio – multinacional (se eu estiver equivocada, pode me corrigir!). Contudo, para além dessa análise de Musse, venho percebendo, pela minha própria leitura, que Jameson faz referência a um “hiperespaço pós-moderno”, expresso na arquitetura, que transcende “as capacidades do corpo humano individual de se localizar, de organizar pela percepção o seu entorno imediato e de mapear cognitivamente a sua posição em um mundo exterior mapeável” (2006, p. 37). Quanto à substituição do tempo pelo espaço, no decorrer de suas reflexões, Jameson sempre enfatiza que as práticas culturais pós-modernas, baseadas em representações efêmeras, visam perpetuar o presente, fragmentando o tempo de tal modo que o passado fique relegado ao esquecimento (2006, p.103). Um dos paradoxos da pós-modernidade citados por Jameson é, justamente, o temporal. Para ele vivenciamos um “mundo sem tempo e sem história”. Na dinâmica do novo sistema global, “podemos observar um desaparecimento das temporalidades [...]” (2006, p. 106). “[...] Se o tempo foi, por consequência, reduzido à violência mais pontual e à mínima mudança irrevogável de uma morte abstrata, então talvez possamos afirmar que, no pós-moderno, o tempo tornou-se, de algum modo, o espaço” (2006, p.108). Abraços.
Comentado por:  Teresa em 24/02/2018 - 06:13
Gostei da tua reflexão sobre Jameson e “pós-moderno”. Penso que a Cultura da Mídia colonizou nossa subjetividade, ao mesmo tempo que a mídia também reforça diferentes culturas, possibilitada pela tecnologia da informação, especialmente o sistema web, que permite a difusão de várias formas de pensar. Lembrando que o pensamento também é um tipo de mercadoria. o discurso é outra mercadoria, e talvez a mais valiosa mercadoria, principalmente quando o discurso reverbera o imaginário popular. Agora eu não sei o que significa traços estruturais desse terceiro estágio do capitalismo. poderia comentar sobre isso? e como é a substituição do tempo pelo espaço ?
Comentado por:  Avany Aparecida Garcia em 24/02/2018 - 06:13
Então, Profa. Teresa! É interessante notar que Jameson, ao relacionar o “pós-moderno” com o capitalismo tardio, multinacional, entende que esse novo fenômeno social midiático e informacional é também uma forma de colonização, sendo a “lógica específica da cultura” subordinada à lógica da mercadoria. Daí, portanto, os traços estruturais desse terceiro estágio do capitalismo incidirem sobre a desvalorização do sentido de história, a substituição do tempo pelo espaço e a ênfase na imagem representacional das coisas. Abraços.
Comentado por:  Teresa em 24/02/2018 - 06:13
Olá Avany, Fico feliz que esteja gostando da leitura de Jameson. Conheci este autor na época do meu doutorado quando escrevi Trabalho e Educação na era midiática. As leituras que faço sobre o pós-moderno tem um vínculo com a cultura da mídia, pois vivemos a era midiática. Entendo como Bauman que vivemos tempos de ambiguidades e a mídia é um aparato que revolucionou o mundo, ao mesmo tempo também é utilizado para difundir mentiras, golpes, promover ódios e outras mazelas. Jameson traz reflexões importantes para compreender melhor o poder das imagens na construção de uma representação social Fico feliz que tenhas um artigo sobre o pós-colonialismo, que vai enriquecer as nossas discussões presenciais.
Comentado por:  Avany Aparecida Garcia em 24/02/2018 - 06:13
Olá, Profa. Teresa e colegas! Bom dia. Está sendo bem interessante a leitura d’a virada cultural! A ideia do presente perpétuo, do movimento contínuo que induz à amnésia histórica, é um dos aspectos do pós-modernismo discutidos por Jameson (2006, p. 43-44) que me lembra, frequentemente, a modernidade líquida do Bauman e a questão da identidade e representação em Stuart Hall. Recentemente, foi publicado um artigo meu, envolvendo a temática do poscolonialismo, (Ensino de língua materna como estratégia para uma prática descolonizadora) que é bem pertinente a essa discussão do pós-modernismo. Lamento não ter lido o Jameson antes. Com certeza, ele seria uma de minhas referências (submeti este artigo antes de ingressar no Doutorado e foi aceito agora em 2018). Aproveito para compartilhar com vocês - Abraços a todos!
Comentado por:  administrador em 24/02/2018 - 06:13
Olá turma. podemos dizer que em meados do século XX ocorreu o que muitos autores chamam de virada cultural, outros chamam de virada linguística. Sugeri a leitura do Jameson, porque acho que ele expressa bem esse momento e hoje estamos vivendo o que se denomina de pós-modernidade. Aguardo as manifestações de vocês nessa discussão.